domingo, 24 de março de 2013

Lisarb, o país das Testemunhas de Jeová

As visitas obrigatórias das Testemunhas de Jeová, de
casa em casa, vai virar lei em Lisarb

Existia um país chamado Lisarb e maioria da população professava a fé católica, mas existia a Bancada das Testemunhas de Jeová, representante de uma população extremamente crescente e quase se tornando uma maioria naquele país. Tal organização parlamentar era de formação relativamente recente na história do pequeno Lisarb, mas que já estava causando alvoroço.

Ocorria que aquela bancada estava emperrando todos os projetos de lei que tentassem legalizar a doação de sangue e de órgãos, e pressionava – usando todas as argumentações morais e bíblicas – que era necessário criar ferramentas constitucionais para tornar obrigatória a evangelização da doutrina das Testemunhas de Jeová de porta em porta, semanalmente. E quem não os recebesse poderia ser punido.

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O presidente de Lisarb era da Igreja Adventista do Sétimo Dia e buscava meios para tornar lei a obrigatoriedade do repouso absoluto no sábado. As negociações já estavam bem avançadas, especialmente porque elas vinham sendo feitas com a bancada das Testemunhas de Jeová, que tinham seus próprios interesses e usavam seu poderio eleitoral como moeda de troca para motivar a população a aceitar suas propostas.

Ora, existia uma minoria, chamada evangélicos neopentecostais, principalmente da vertente da teologia da prosperidade. Em tese eles eram contemplados com direitos de cidadadania, já que a constituição dizia que “todas as religiões são iguais perante a lei”.

Mas um impasse permanecia. É que em Lisarb era permitido que todas as confissões religiosas tivessem um espaço na televisão. Mas quando a constituição do país foi promulgada, o texto dizia: “terá espaço na TV aberta todas as religiões: católicos, adventistas, espíritas, religiões afrodescendentes, judeus, muçulmanos, politeístas e petencostais”. Como à época não era socialmente expressiva a população neopentecostal, eles não foram citados na constituição e, por isso, as outras religiões – especialmente a bancada das Testemunhas de Jeová – argumentavam que era inconstitucional o espaço na TV aberta para os neopetencostais, já que a constituição dizia claramente que este espaço era exclusivo para “católicos, adventistas, espíritas, religiões afrodescendentes, judeus, muçulmanos, politeístas e petencostais”.

Câmara dos Deputados de Lisarb, sob influência da bancada
das Testemunhas de Jeová.
Sempre que os neopentecostais protestavam para que lhes fosse dado o direito de ter um espaço na TV – afinal, a única diferença deles para a maioria das religiões era a forma de interpretação do evangelho bíblico, nada muito discrepante da visão dos seus amigos petencostais, por exemplo – a bancada das Testemunhas de Jeová bradava dizendo que os neopetencostais queriam ter privilégios.

Sim, de fato, um absurdo. Todas as religiões tinham direito a um espaço na TV. Mas quando os neopentecostais lutavam por este espaço, esse direito tornava-se um privilégio.

Também era permitido ofender, agredir e condenar tranquilamente os neopentecostais, afinal, eles eram sujos, contrários ao evangelho e, principalmente, mesmo que qualquer injúria fosse proferida, todas as confissões tinham o direito de expressar sua opinião; não deveriam ficar calados sob o pretexto do respeito. Pra quê respeito se os neopentecostais são abominação? Afinal, como eles podem pregar a prosperidade se Cristo disse a um rico “se queres me seguir, dá todos os teus bens aos pobres” ou “é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que o rico entrar no Reino dos Céus”?

Sim, eles eram abominação. A Bíblia dizia isso.

Por isso, existia um deputado chamado Jalir Malanaro que era o principal inimigo dos neopentecostais e usava toda a sua força política para rechaçá-los. Estes, por sua vez, se sentiam cada vez mais fortes, porque parte da população já tinha entendido que, na verdade, eles não eram aberrações, só queriam ter seus direitos! Ainda assim, a maioria da população não era neopentecostal, e por mais que houvesse apoio, maior era a rejeição.

Ainda havia aqueles que preferiam não ajudar com medo de que, mesmo não sendo neopentecostais, ao defendê-los, poderiam ser confundidos com eles, julgado como sendo um.

Eles se perguntavam: “Como é possível viver num país onde as leis são baseadas em confissões religiosas restritas?”. Ou “por que eu tenho que ter repouso absoluto no sábado e não posso doar sangue para um familiar acidentado só porque uma crença religiosa exerce poder político?”.

Pois é. Eles achavam um absurdo. E de fato era. Mas pouco podiam fazer. A bancada das Testemunhas de Jeová se fortalecia cada vez mais com o aumento da população que fazia parte da crença deles.

Esse país, Lisarb, parecia mais a casa da mãe Joana. Tantos interesses pessoais, tantas crenças indivuduais regrando a vida de toda a população, como se todo mundo tivesse que viver sob a sombra dos dogmas deles! Triste. Muito triste. Mal dava para entender isso, esse absurdo.

Seria muito bom que isso fosse apenas um conto, uma ficção. Infelizmente, vocês sabem, não é. Basta inverter algumas coisas na história e trocar alguns personagens. E, claro, ler o nome do país de trás para frente.

*Atenção! Este texto não é uma crítica a nenhuma religião minoritária. Só usa confissões menos expressivas para ilustrar como seria uma realidade onde os papéis fossem invertidos. Meu respeito absoluto às Testemunhas de Jeová e aos Adventistas do Sétimo Dia que, ao contrário de certas crenças, jamais usam ou usaram sua doutrina para limitar a vida daqueles que não pertencem a ela.

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7 comentários:

PH disse...

Olá amigo. O único problema dessa Lisarb é o fato de ela possuir uma bancada política de Testemunhas de Jeová, pois elas não se envolvem na política, ou seja, se uma Testemunha de Jeová se torna um politico ela deixa de ser testemunha de Jeová, porque isso é parte fundamental de sua doutrina, o que elas chamam de "neutralidade", elas nem sequer apoiam ou vão contra um governo politico e não votam ou votam em branco ou nulo. Também elas não são contra Transfusões ou doações de Sangue, tanto que não existe nenhum movimento, protesto ou campanha em oposição a esse tema liderado ou organizado por elas, as Testemunhas de Jeová apenas recusam individualmente o procedimento médico que utilize Sangue ou hemoderivados mas respeitam o direito individual de escolha de cada ser humano.

Juliano Reinert disse...

Olá, amigo.

Obrigado pela observação quanto à transfusão de sangue. Neste ponto eu coloquei uma informação iverídica. Desculpe.

Mas quanto ao envolvimento das Testemunhas de Jeová com política e demais suposições aqui expostas, trata-se, apenas, de uma suposição. É uma situação hipotética onde eu ilustrei um fato a partir de uma minoria desconsiderada da sociedade, para que compreendamos como seria um país onde o que prevalecesse não fosse o bem-comum, mas a crença de um determinado grupo.

Obrigado pelo seu comentário!

Anônimo disse...

Só não entendi porque justamente as Testemunhas de Jeová foram citadas nessa situação hipotética. Justamente elas que, todos sabem, não se envolvem na política e que, por isso, foram até presas, torturadas e mortas em alguns países, inclusive pelo regime de Hitler.

opa pai disse...

Isso mesmo amigo. Não da pra ser uma HIPÓTESE se não tem chance de acontecer. Além disso é notável no texto a insistência em destacar as Testemunhas de Jeová. E ainda se baseando em ideias totalmente contrarias as que são divulgadas e expressas por elas. Mostra assim que não utilizou-se de boa fonte. Minha opinião PESSOAL é que o texto é ruim, pois usa informações infundadas.

Guilherme Alencar disse...

Não aceitamos a transfusão de sangue de Terceiros pois Jeová Deus disse que se o sangue sair do corpo ele deve ser descartado e não mais reaproveitado. Essa lei básica do sangue foi dada a Noé e a todos os seus descendentes (nós fazemos parte da descendência dele), também na Lei Mosaica e repetida aos Cristãos em Atos 15:28,29 mas a auto-transfusão de sangue aceitamos pois o sangue não é descartado do corpo e sim purificado e reaproveitado sem sair do corpo. É um procedimento mais saudável e não contém nenhum risco de morte.

Pesquisas atuais de médicos especialistas em transfusões de sangue relatam que a cada bolsa de sangue aplicada aumenta em 20% o risco de morte.

A Lei de Deus já dizia isso a 2 mil anos antes do Homem se dar conta do problema.

Fonte Revista Época:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI200448-15257,00-MENOS+SANGUE+POR+FAVOR.html

Guilherme Alencar disse...

Pra não confundir a cabeça de muitos, a auto-transfução é feita pela máquina medicinal chamada "Cell Saver" usada em hospitais mais preocupados com a saúde de seus pacientes visto que as chances de morte caem drasticamente e o níveis de recuperação são extraordinários.

L LAWLIET Near disse...
Este comentário foi removido pelo autor.