domingo, 3 de maio de 2009

A falsa inteligência

Principalmente no meio acadêmico vemos uma multidão de gente se dando e se pagando de inteligente e "sabe tudo". Espantoso é ver que não só lá, mas muita gente que escreve artigos pra jornais fala besteira em nome da sua "razão".
O que me motiva a escrever isso são as milhares de bocas e mentes que vivem proferindo a todo canto inverdades sobre coisas que eles simplesmente antipatizam. Para ser claro, posso citar uma data recente como exemplo: a Páscoa.
Todo mundo tem direito de acreditar ou não em Deus, de ser ou não cristão, e isso eu já falei muito aqui. Mas o que eu acho ridículo, hipócrita (e mais sobre o meu pensamento a respeito dessas pessoas vou falar na semana que vem) são aqueles que falam um monte de asneira para tentar difundir aquela velha tática: de tanto espalhar e repetir uma mentira, ela acaba virando verdade.
Deixa eu pôr tudo isso em ordem cronológica (como sempre faço) pra entender melhor:
A Páscoa é uma festa que nasceu no judaismo, onde estes festejam e relembram uma passagem na história deles em que Moisés libertou o povo israelita que estava escravizado no Egito pelo Faraó. Para fugir dos chicotes dos egípcios, Moisés fugiu com o povo para o deserto atravessando o Mar Vermelho que, segundo o Torá (Bíblia judaica) e a própria Bíblia Cristã, repartiu-se ao meio e o povo passou a pé enxuto com paredes de água dos dois lados.
Milhares de anos depois, um homem chamado Jesus, nascido em Nazaré, percorre toda a região do Oriente Médio pregando por três anos o amor. A falta de rigidez, a simplicidade do homem e o bem que ele fazia acabou por irritar alguns poderosos que ordenaram a morte do tal "profeta" justamente na sexta-feira anterior à comemoração da Páscoa judaica.
O cristianismo conta, então, que no domingo, terceiro dia depois da morte de Jesus, ele teria ressuscitado. Ponto. Essa é a história da Páscoa.
O primeiro na história de perversão de toda essa comemoração ESTRITAMENTE RELIGIOSA começou a espalhar, então, que na Páscoa, um coelhinho punha ovos de chocolate e distrubuía às criancinhas.
Acontece que quem inventou isso (eu não sei quem foi) baseou-se em alguns símbolos que fazem parte da Páscoa realmente. O coelho é símbolo de fertilidade. O ovo representa a vida, o nascimento. Só o chocolate que não sei de onde tiraram. E aproveitaram tudo isso, colocaram tudo no mesmo liquidificador, bateram, e transformaram a Páscoa em puro comércio.
Não vejo maldade nenhuma nisso, desde que não se esqueça do verdadeiro sentido da Páscoa. E também que não ridicularize quem não pôde comprar um ovo e levou só uma barra. Afinal, o comércio também precisa sobreviver de alguma coisa. Não defendo o capitalismo doentio, tudo tem um limite. E até um certo ponto, coelhos que põem ovos de chocolate não me incomodam.
O problema é que tem gente que é intolerante. E já existem outros infelizes querendo espalhar outra inverdade e fazer torná-la real naquela fórmula da repetição da mentira pra virar verdade: dizem que a Páscoa é só consumismo, capitalismo, jogo de poder, enriquecimento dos mais endinheirados e toda aquela coisa.
Volto a repetir: não gosta do cristianismo?, fica na tua! Se fosse uma celebração dessas religiões "modernas", ou orientais, ninguém estaria criticando. Daí me diriam: "Ah, mas as religiões orientais não têm apelo capitalista". Não? Quanta gente que tá fazendo a vida por aqui aproveitando-se das modas orientais? É só parar pra reparar.
E deixo claro: aqui não estou falando mal das religiões, da cultura, ou de quem segue algum tipo de crença "moderna", ou oriental. Estou criticando todos aqueles que se dizem inteligentes, mas que na verdade são defensores das suas ideias particulares e egoístas, e não "cabeça aberta", gente que respeita todas as culturas e povos, como costumam se proclamar.
Se tem alguém fazendo coisa errada com a Páscoa, a culpa é desse alguém, não da Páscoa. Quem respeita índios, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais, budistas, ateus e sei lá mais que personagens discriminados na nossa sociedade, também deve saber respeitar católicos, protestantes, evangélicos, no mesmo nível. Maioria ou minoria, todos temos direitos iguais.
Repensemos nossos conceitos, e cuidemos para não entrarmos no grupos dos "pseudointelectuais", ou "falsos inteligentes".

6 comentários:

Leo disse...

Pseudointeligência é um grande problema na minha opnião. Eu pelo menos detesto conversar com esses pseudointelectuais.
Num ponto eu concordo contigo: muitas pessoas acabam "desgostando" da Páscoa por causa desse cárater comercial que ela acabou ganhando.

Até mais, Juliano!

♥MáH♥ disse...

Será que um dia irão entender que é melhor se calar do que falar besteira???
Tbn detesto essa galera... se baseiam em um monte de "achismo" e se sentem os donos da verdade!

Equipe Analisanet: disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Laís disse...

Pseudointelectuais geralmente só conseguem falar com eles mesmos ou semelhantes. Ninguém é dono da verdade, né! E o pior é que não respeitam a opinião dos outros.
Sempre cheio de ideias você, hein Ju. hahah Saudades de trocarmos figurinhas...
E como estão seus livros??
Beijoo

Desarranjo Sintético disse...

Bom, também acho que mão é porque a Páscoa "virou" comercial que precisam falar mal dela no geral, acho que as pessoas tem é que falar mal do consumismo, da desvirtuação da data, etc. e não dela como um todo, porque o seu verdadeiro significado para os cristãos não tem nada dessa coisa de "COMPREM, CONSUMAM, GASTEM", não tem nada desse apelo medíocre capitalista.
Acho que o bom senso tem que imperar nada hora de se tentar escrever algo a respeito.
Abraços.

Fábio.

Cαmilα ♥ disse...

Olá Juliano.
É a primeira vez que caminho por aqui, confesso que entrei pelo nome do blog: O ANDARILHO de TL.

COmecei lendo o post sobre o aumento da passagem e achei intenressante, 'botar a boca no trombone' são para poucos que tem coragem.

Seus textos são super bem escritos e com assuntos atuais e diversos. Relamente gostei mesmo daqui.

Em relaçao a Pascoa, concordo com o que você disse, o comercio fatura sim e precisa disso, mas cabe a nós não deixar que essa data tao significativa seja apenas comercial.

BeijOs pra tu!
Camila, dos Caminhos.