domingo, 9 de março de 2008

Um Jesus nada cristão?


O título desse post remete à manchete de uma reportagem da revista Veja, uma crítica de Isabela Boscov. A diferença é que na revista não havia o ponto de interrogação. Era uma afirmação. Mas eu não afirmo, eu me pergunto, afinal, porque "Um Jesus nada cristão?"
Para os desinformados de plantão, A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ, EUA 2004) foi um dos filmes mais polêmicos da história do cinema desde que eu tenho lembranças. Conta a história das 12 últimas horas de Jesus (Jim Caviezel), desde a agonia no Jardim das Oliveiras onde é tentado pelo demônio, passando pelos julgamentos, o flagelo, a via-crúcis até a morte e a ressurreição.
Mel Gibson, o diretor do filme é católico ferrenho e participa de um movimento da Igreja bem conservador. Foi acusado de anti-semita e muitas outras coisas quando o filme foi lançado e a todas essas críticas, eu mantive meus olhos bem abertos para captar tudo e tirar várias conclusões. E por fim, consegui.
Achei um Jesus bem cristão, sim! Em todos os momentos, pequenas cenas da vida de Jesus como carpinteiro, como o pregador, como o amigo entre outras eram mostradas. Até na hora da cruz, aparece Jesus no Sermão da Montanha. O filme é sangrento, violento, mas não deixa de passar a mensagem que Jesus veio dizer: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".
Não acho, tampouco, o filme anti-semita. Ao passo que várias autoridades judaicas montaram uma armadilha para prender e matar Jesus, muitos outros ajudaram-no: Maria, Maria Madalena, Simão Sirineu, Verônica, e tantos outros. E o filme mostra isso.
Analisando os termos técnicos, o roteiro é impecável. Adaptar da Bíblia é algo difícil. Ela traz, nos diferentes evangelhos, acontecimentos diversos. Uma coisa é relatada aqui que no outro não conta e isso acaba causando dificuldades em fazer um roteiro coerente. Mel Gibson fez isso.
A fotografia é muito boa também. As tomadas escuras dando o ar de coisa sombria, agonia, sofrimento ajudam a passar o clímax que o filme pretende. A atuação de todos é excelente, especialmente Maia Morgenstern (Maria) que passa de forma emocionante a mãe que sofre, mas aceita o plano de Deus. Merecia um Oscar a atuação dessa atriz. Sem falar na maquiagem (os ferimentos de Jesus estão muito verossímeis).
Só o que deixa a desejar é o final. E aqui posso contar porque todo mundo já conhece a história. Pelo tanto que Jesus sofreu, a ressurreição ficou frouxinha. Deveria ter sido algo mais explendoroso, glorioso. Mas entenda-se que o foco do filme era mostar a Paixão. E isso Mel Gibson fez excelentemente.
Nota? Sem dúvida, 9. Só pela ressurreição que deveria ter sido melhor trabalhada. Mas pra quem não viu, ou não reviu, é uma excelente pedida para os próximos dias em que se aproximamos da Páscoa. Vale a pena conferir... ou reconferir.

2 comentários:

Fernanda disse...

Nunca vi esse filme, apesar de morrer de vontade de ver pelo q todo mundo fala. Realmente com a páscoa chegando, talvez esteja ai uma boa hora de assisti-lo!
:***

Leo disse...

Gostei muito da resenha! Só vi algumas partes do filme, nunca o assisti por completo. Depois de ver você falando tão bem, fiquei com vontade de assisti-lo!

O modo como estruturou o texto, falando da maquiagem, da fotografia demonstrou que você realmente saca do assunto. Minhas resenhas cinematrográficas se limitam ao enredo dó filme. Parabéns!

Até mais!